Chuang-Tzu por Fung Yu-Lan

domingo, novembro 26, 2017

Fung Yu-Lan, também conhecido como Feng Yulan, foi um dos maiores estudiosos de filosofia chinesa do século XX. Seu livro mais conhecido é A History of Chinese Philosophy (1934), que foi traduzido para o inglês por Derk Bodde e publicado em dois volumes pela Universidade de Princeton. É possível encontrar online um resumo dessa obra (A Short History Of Chinese Philosophy) que, segundo o autor, serve como “uma introdução ao estudo da filosofia chinesa”. Também estão disponíveis na rede uma obra posterior, The Spirit Of Chinese Philosophy, escrito durante a segunda guerra sino-japonesa, e alguns textos menores de Fung Yu-Lan.

Chuang-Tzu, também conhecido como Zhuangzi, é o maior filósofo taoísta depois de Lao-Tsé (Laozi). Todos o conhecem, mesmo que nunca tenham ouvido seu nome; dele é a célebre narrativa sobre o homem que sonhava ser uma borboleta.

Em 1933, Fung Yu-Lan escreveu um livro chamado “Chuang-Tzu: a new selected translation with an exposition of the philosophy of Kuo Hsiang“, onde traduz para o inglês os sete primeiros capítulos (the inner chapters) do livro de Chuang-Tzu e os “Comentários” de Kuo Hsiang.

O trecho reproduzido abaixo foi retirado do estudo introdutório que Fung Yu-Lan escreveu para esse livro. Logo depois há um atalho para download do livro completo pesquisável (OCR).

NOTA: Se você não domina o idioma inglês, recomendo o belo livro “A via de Chuang-Tzu”, de Thomas Merton (Editora Vozes), que pode ser encontrado facilmente em sebos.

“Before discussing Taoism in detail, it is better for us to get familiar first with its general viewpoint. William James divided philosophers according to their temperament into two classes—the “tough-minded” and the “tender-minded.” The “tough-minded” philosophers reduced mind to matter, the “higher” to the “lower”; according to them, the world is materialistic (at least nonspiritualistic), mechanistic, and deterministic. Man is alien to the world, in which there is no God, no immortality, no freedom. On the other hand, the “tender-minded” philosophers reduced matter to mind, the “lower” to the “higher.” According to them, the world is spiritualistic, in which there is God, immortality, and freedom; and man, though insignificant he may appear to be, is inwardly connected with the whole. These are really the two points of view to see . the world. Science takes the one point of view, religion, the other; the one is more congenial to intellect, the other, to feeling. Because the two viewpoints are different, science and religion are always in conflict. And how to reconcile this conflict has become a problem in philosophy.

In the history of philosophy, generally speaking, there were mainly two ways to reconcile these two points of view. Some philosophers (Kant, for instance) said that science is valid only in the phenomenal world; beyond the phenomenal, there is the noumenal world, which is not governed by the laws of science, and is the place for God, immortality, and freedom. James, Bergson, generally speaking, both took this view. We may call it the pragmatic (in the broad sense of the word) point of view. Other philosophers (Spinoza, for instance) fully accepted the naturalistic conception of the universe, but in their system, by a peculiar combination, there is still place for God, immortality, and freedom; man is still one with the universe, if only he can “see things under the form of eternity.” The so-called new realism in contemporary philosophy seems also to take this view. We may call this the neorealistic point of view. As we shall see, Taoism also took this view. Some people said that Taoism is naturalistic and scientific, while others said that it is mystic and religious. In fact, it is both.

Among the Taoistic classics, Chuang Tzu’s book is not only instructive but also interesting. Chuang Tzu was not only a philosopher but also a poet. His philosophy is like that of Spinoza; his style is like that of Plato. He expounded the laborious, abstract principles of Spinoza with concrete illustrations and poetic expression. His genius is both philosophical and literary.”

 

PDF Download:
Fung Yu-Lan – Chuang-Tzu [OCR]

 

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A privacidade e as biografias não autorizadas

quarta-feira, maio 3, 2017

A primeira versão deste artigo foi publicada em 23 de outubro de 2013, no auge da “polêmica das biografias”. Uma segunda versão, ligeiramente modificada, foi publicada em janeiro de 2014 na revista portuguesa InComunidade. Esta versão (provavelmente definitiva) foi revisada em 3 de maio de 2017.

 

PDF download:
A privacidade e as biografias não autorizadas

 

Le Gaffiot 2016 (Latim-Francês)

segunda-feira, março 13, 2017

Vinte voluntários, a maioria deles professores de letras clássicas, produziram uma edição corrigida e aumentada do clássico dicionário de Latim publicado por Félix Gaffiot em 1934.

Gérard Gréco, coordenador do trabalho, também prometeu uma edição eletrônica do dicionário Bailly (Grego-Francês).

O Le Gaffiot 2016 foi publicado gratuitamente em formatos que podem ser acessados em celulares (StarDict, Epwing, Dictan) e também em um arquivo PDF pesquisável, que é a versão oficial de referência:

Le Gaffiot 2016 (nouvelle édition corrigée et augmentée)

 

From birth to freedom

quarta-feira, abril 6, 2016

 proposal concerning the duration of copyright

The copyright law conciliates two essential rights: the right of the creators of intellectual works and the right of the public to freely enjoy, after a certain amount of time, such works. However, it seems that the copyright law was implemented in a way that produces inequality. This document proposes a form to correct, as much as possible, such inequality.

PDF download:
From birth to freedom – A proposal about copyright
(The author’s birth date as the landmark of the duration of copyright.)

History
2016-04-06: first public version
2016-04-15: document updated (final version)
2016-07-25: added PDF/A-1b standard compliance and page numbering; document published at academia.edu

 

O que é o iluminismo?

sábado, fevereiro 6, 2016

Iluminismo significa que o homem abandona uma menoridade pela qual ele mesmo é responsável. Essa menoridade significa a incapacidade para servir-se de seu entendimento sem ser guiado por um outro. Ele mesmo é culpável por essa menoridade quando ela não é causada pela falta de entendimento, mas pela falta de resolução e coragem para servir-se do seu [entendimento] sem ser conduzido por um outro. Sapere aude! Tenha coragem para servir-se de seu próprio entendimento! Esse é o tema do iluminismo.

Preguiça e covardia são as causas pelas quais tantos homens permanecem, e com prazer, menores de idade durante toda a sua vida, ainda que a natureza os tenha liberado há muito tempo de uma condução alheia (tornando-os fisicamente adultos); e por isso foi tão fácil que outros se convertessem em seus tutores. É tão cômodo ser menor de idade. Basta possuir um livro que substitua meu entendimento, alguém que vele pela minha alma e assuma o papel de minha consciência moral, um médico que prescreva minha dieta, etc., para que eu não tenha de preocupar-me com tais assuntos. Não preciso pensar, desde que possa pagar; outros assumirão por mim uma tarefa tão enfadonha. (…)

KANT, Immanuel. Contestación a la pregunta: ¿Qué es la ilustración?, tradução para o castelhano de Roberto R. Aramayo, IN Revista Isegoría, Nº 25 (2001), pp. 287-291. Republicado em livro pela Alianza Editorial.

Kant – Que es la Ilustracion [595-595-1-PB]

 

Entretiens avec Bergson

terça-feira, novembro 10, 2015

entretiens

A pedido dos editores, este livro foi publicado em 1959, ano em que se comemorou o centenário de nascimento de Henri Bergson. Redigido a partir de anotações de Jacques Chevalier em seu diário, muitas delas realizadas de memória logo após suas conversas com o mestre e amigo, ele possui um valor documental (e filosófico) extraordinário; e ainda que tenha de ser considerado como um livro de Chevalier, e não do entrevistado, é possível dizer que essa distinção se esfuma tão logo se abrem as aspas e a voz de Bergson se faz ouvir.

Jacques Chevalier faleceu em 1962. Assim, de acordo com a lei francesa, esta obra já está sob domínio público.

PDF download:
Jacques Chevalier – Entretiens avec Bergson [OCR]

 

Jacques Le Goff – Nossos fantasmas são medievais

domingo, março 29, 2015

fantasma
Publicada no Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) em 4 de dezembro de 1988 (também um domingo), a entrevista “Nossos fantasmas são medievais” foi concedida a Dominique Simonnet (L’Express) pelo célebre medievalista Jacques Le Goff.

Encontrei-a, bastante fragilizada pela oxidação do papel, dentro do livro onde, na época, eu a “arquivei”. Agora ela irá encontrar seu destino: o lixo, ou o céu dos jornais, conforme queira o leitor. Mas não sem, antes, deixar aqui seu simulacro em PDF.

Jacques.Le.Goff.-.Nossos.fantasmas.sao.medievais.[OCR]

Crítica do Princípio de Razão Suficiente

domingo, março 1, 2015

Crítica do Princípio de Razão Suficiente

Mais um livro de Lydio Machado Bandeira de Mello: Crítica do Princípio de Razão Suficiente, de 1974. Entre tantos outros, este livro me chamou a atenção porque, em um de seus capítulos (“O Evolucionismo Ateu. O Transformismo Ateu. A doutrina do Retorno Eterno”), o autor discute o evolucionismo e critica a doutrina do eterno retorno. Note-se que Bandeira de Mello rejeita o eterno retorno como doutrina cosmológica e como doutrina ética (“argumento horrível da mais horrenda tragédia”, p. 194) porque o interpreta como eterno retorno do mesmo. Não custa lembrar que este livro é de 1974; Différence et répétition havia sido publicado na França apenas seis anos antes, e Nietzsche et la philosophie, pouco mais de uma década antes. Assim, se hoje essa interpretação nos parece equivocada, é preciso reconhecer que ela está inteiramente de acordo com seu tempo. Nessa época, ninguém ou quase ninguém estudava Deleuze no Brasil.

Consta no índice desse volume a referência a uma continuação (num volume à parte) publicada sob o nome A Falibilidade da Indução.

A digitalização desse livro foi penosa, o que acabou atrasando sua postagem. O livro foi grampeado (em vez de costurado), o que já dificultou bastante o processo de cópia. Mas o pior de tudo foi a irregularidade da impressão (de modo que algumas páginas eram mais claras do que outras) e o uso de um traço manuscrito bastante delgado. Essa combinação de características tornou impossível repetir as configurações usadas com tanto êxito em O Real e o Possível (compactação MRC). Fiz diversas tentativas experimentando diferentes variáveis e em todas o resultado ficou muito ruim. Assim, tive de me conformar com o uso de um processo menos moderno e, em conseqüência disso, o arquivo PDF resultante dobrou de tamanho.

Prometi encerrar esta série fornecendo mais informações sobre Lydio Machado Bandeira de Mello e, para cumprir minha promessa, deixarei aqui um atalho para este belo artigo de Thiago Fernando Miranda Crivellari, publicado em 2012 pela UFMG: Uma Lydioscopia: elementos da vida e da obra de Lydio Machado Bandeira De Mello.

Esta postagem e a anterior são dedicadas ao meu amigo Lydio Bandeira de Mello.

PDF download:

Lydio Machado Bandeira de Mello – Critica do Principio de Razao Suficiente (1974)

Uma Lydioscopia: elementos da vida e da obra de Lydio Machado Bandeira De Mello

O Real e o Possível

domingo, fevereiro 22, 2015

Lydio Machado Bandeira de Mello (1901-1984) foi um jurista (tendo sido professor emérito na UFMG), filósofo e matemático brasileiro. Autor de dezenas de livros, acabou tornando-se mais conhecido fora do Brasil do que em seu próprio país.

Lydio Machado Bandeira de Mello

Lydio Machado Bandeira de Mello. Retrato realizado por seu filho Lydio Bandeira de Mello em 1956 (detalhe).

Só fiquei sabendo de sua existência e de sua vasta obra por conta de minhas visitas ao seu filho Lydio Bandeira de Mello, pintor e desenhista de gênio. Por várias razões, os livros de Lydio Machado (que, como já disse, se contam às dezenas) me chamaram a atenção. E um deles, de nome O Real e o Possível, chamou-me particularmente a atenção.

O Real e o Possível

Não era para menos. A questão me interessa e eu mesmo trabalhei em minha dissertação de mestrado a distinção (bergsoniana) entre o virtual e o possível. Por isso mesmo, eu não poderia concordar com nenhuma das teses de acordo com as quais “o todo está dado” (neste caso, dado como um conjunto de possíveis na mente divina). Nem Aquino, nem Laplace. Mas “concordar” (ou não) com as teses de um autor é, geralmente, o que menos importa. Eu tinha nas mãos uma oportunidade rara: ajudar a divulgar uma obra séria de um autor brilhante e quase desconhecido no Brasil.

As dificuldades técnicas, neste caso, foram assombrosas. O Real e o Possível mede 23 x 15,5 cm, sendo, portanto, ligeiramente maior do que uma mesa digitalizadora (scanner) de tamanho padrão. Falta-lhe, além disso, a regularidade de um livro composto pelos métodos tradicionais. Sequer era possível encostar ao menos uma das extremidades do livro numa extremidade da área útil do scanner para automatizar o processo. Ao contrário, era preciso posicionar e reposicionar individualmente cada folha até achar a posição correta. Em resumo, foram necessárias cerca de 700 varreduras e mais de 12 horas de trabalho ininterrupto somente para digitalizar as imagens do livro.

O resultado foi compilado num arquivo PDF com marcadores. Mesmo sabendo que seria praticamente inútil (uma vez que o livro foi impresso em litografia a partir dos manuscritos do autor), realizei uma leitura OCR das imagens. As palavras escritas em maiúsculas (letra de forma) foram reconhecidas e podem ser pesquisadas no arquivo PDF, o que já é alguma coisa. Dica: algumas maiúsculas (em caixa alta) de Lydio Machado são personalizadas, o que dificultou seu reconhecimento óptico. Assim, caso resolva procurar a palavra “Deus”, procure por “eus” – e assim por diante.

Depois irei postar aqui mais informações sobre Lydio Machado Bandeira de Mello e ao menos mais um livro dele.

Boa leitura!

PDF download:

Lydio Machado Bandeira de Mello – O Real e o Possível (1954)

O acaso e a necessidade

sexta-feira, dezembro 26, 2014

“Quando pensamos no imenso caminho percorrido pela evolução desde talvez três bilhões de anos, na prodigiosa riqueza das estruturas que ela criou, na miraculosa eficiência das performances dos seres vivos, da bactéria ao homem, podemo-nos surpreender a duvidar de que tudo isso seja o produto de uma enorme loteria, tirando ao acaso números entre os quais uma seleção cega designou raros ganhadores.”

Na tradução brasileira de O acaso e a necessidade, de Jacques Monod (Editora Vozes), se lê teoria em lugar de loteria. Consultei a 3ª edição (1976) e a 4ª edição (1989) e ambas contêm o mesmo erro (p. 157). Conforme Le hasard et la nécessité, Seuil, Paris, 1970, p. 155.