A privacidade e as biografias não autorizadas

quarta-feira, maio 3, 2017

A primeira versão deste artigo foi publicada em 23 de outubro de 2013, no auge da “polêmica das biografias”. Uma segunda versão, ligeiramente modificada, foi publicada em janeiro de 2014 na revista portuguesa InComunidade. Esta versão (provavelmente definitiva) foi revisada em 3 de maio de 2017.

 

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A privacidade e as biografias não autorizadas

 

Le Gaffiot 2016 (Latim-Francês)

segunda-feira, março 13, 2017

Vinte voluntários, a maioria deles professores de letras clássicas, produziram uma edição corrigida e aumentada do clássico dicionário de Latim publicado por Félix Gaffiot em 1934.

Gérard Gréco, coordenador do trabalho, também prometeu uma edição eletrônica do dicionário Bailly (Grego-Francês).

O Le Gaffiot 2016 foi publicado gratuitamente em formatos que podem ser acessados em celulares (StarDict, Epwing, Dictan) e também em um arquivo PDF pesquisável, que é a versão oficial de referência:

Le Gaffiot 2016 (nouvelle édition corrigée et augmentée)

 

From birth to freedom

quarta-feira, abril 6, 2016

 proposal concerning the duration of copyright

The copyright law conciliates two essential rights: the right of the creators of intellectual works and the right of the public to freely enjoy, after a certain amount of time, such works. However, it seems that the copyright law was implemented in a way that produces inequality. This document proposes a form to correct, as much as possible, such inequality.

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From birth to freedom – A proposal about copyright
(The author’s birth date as the landmark of the duration of copyright.)

History
2016-04-06: first public version
2016-04-15: document updated (final version)
2016-07-25: added PDF/A-1b standard compliance and page numbering; document published at academia.edu

 

O que é o iluminismo?

sábado, fevereiro 6, 2016

Iluminismo significa que o homem abandona uma menoridade pela qual ele mesmo é responsável. Essa menoridade significa a incapacidade para servir-se de seu entendimento sem ser guiado por um outro. Ele mesmo é culpável por essa menoridade quando ela não é causada pela falta de entendimento, mas pela falta de resolução e coragem para servir-se do seu [entendimento] sem ser conduzido por um outro. Sapere aude! Tenha coragem para servir-se de seu próprio entendimento! Esse é o tema do iluminismo.

Preguiça e covardia são as causas pelas quais tantos homens permanecem, e com prazer, menores de idade durante toda a sua vida, ainda que a natureza os tenha liberado há muito tempo de uma condução alheia (tornando-os fisicamente adultos); e por isso foi tão fácil que outros se convertessem em seus tutores. É tão cômodo ser menor de idade. Basta possuir um livro que substitua meu entendimento, alguém que vele pela minha alma e assuma o papel de minha consciência moral, um médico que prescreva minha dieta, etc., para que eu não tenha de preocupar-me com tais assuntos. Não preciso pensar, desde que possa pagar; outros assumirão por mim uma tarefa tão enfadonha. (…)

KANT, Immanuel. Contestación a la pregunta: ¿Qué es la ilustración?, tradução para o castelhano de Roberto R. Aramayo, IN Revista Isegoría, Nº 25 (2001), pp. 287-291. Republicado em livro pela Alianza Editorial.

Kant – Que es la Ilustracion [595-595-1-PB]

 

Entretiens avec Bergson

terça-feira, novembro 10, 2015

entretiens

A pedido dos editores, este livro foi publicado em 1959, ano em que se comemorou o centenário de nascimento de Henri Bergson. Redigido a partir de anotações de Jacques Chevalier em seu diário, muitas delas realizadas de memória logo após suas conversas com o mestre e amigo, ele possui um valor documental (e filosófico) extraordinário; e ainda que tenha de ser considerado como um livro de Chevalier, e não do entrevistado, é possível dizer que essa distinção se esfuma tão logo se abrem as aspas e a voz de Bergson se faz ouvir.

Jacques Chevalier faleceu em 1962. Assim, de acordo com a lei francesa, esta obra já está sob domínio público.

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Jacques Chevalier – Entretiens avec Bergson [OCR]

Jacques Le Goff – Nossos fantasmas são medievais

domingo, março 29, 2015

fantasma
Publicada no Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) em 4 de dezembro de 1988 (também um domingo), a entrevista “Nossos fantasmas são medievais” foi concedida a Dominique Simonnet (L’Express) pelo célebre medievalista Jacques Le Goff.

Encontrei-a, bastante fragilizada pela oxidação do papel, dentro do livro onde, na época, eu a “arquivei”. Agora ela irá encontrar seu destino: o lixo, ou o céu dos jornais, conforme queira o leitor. Mas não sem, antes, deixar aqui seu simulacro em PDF.

Jacques.Le.Goff.-.Nossos.fantasmas.sao.medievais.[OCR]

Crítica do Princípio de Razão Suficiente

domingo, março 1, 2015

Crítica do Princípio de Razão Suficiente

Mais um livro de Lydio Machado Bandeira de Mello: Crítica do Princípio de Razão Suficiente, de 1974. Entre tantos outros, este livro me chamou a atenção porque, em um de seus capítulos (“O Evolucionismo Ateu. O Transformismo Ateu. A doutrina do Retorno Eterno”), o autor discute o evolucionismo e critica a doutrina do eterno retorno. Note-se que Bandeira de Mello rejeita o eterno retorno como doutrina cosmológica e como doutrina ética (“argumento horrível da mais horrenda tragédia”, p. 194) porque o interpreta como eterno retorno do mesmo. Não custa lembrar que este livro é de 1974; Différence et répétition havia sido publicado na França apenas seis anos antes, e Nietzsche et la philosophie, pouco mais de uma década antes. Assim, se hoje essa interpretação nos parece equivocada, é preciso reconhecer que ela está inteiramente de acordo com seu tempo. Nessa época, ninguém ou quase ninguém estudava Deleuze no Brasil.

Consta no índice desse volume a referência a uma continuação (num volume à parte) publicada sob o nome A Falibilidade da Indução.

A digitalização desse livro foi penosa, o que acabou atrasando sua postagem. O livro foi grampeado (em vez de costurado), o que já dificultou bastante o processo de cópia. Mas o pior de tudo foi a irregularidade da impressão (de modo que algumas páginas eram mais claras do que outras) e o uso de um traço manuscrito bastante delgado. Essa combinação de características tornou impossível repetir as configurações usadas com tanto êxito em O Real e o Possível (compactação MRC). Fiz diversas tentativas experimentando diferentes variáveis e em todas o resultado ficou muito ruim. Assim, tive de me conformar com o uso de um processo menos moderno e, em conseqüência disso, o arquivo PDF resultante dobrou de tamanho.

Prometi encerrar esta série fornecendo mais informações sobre Lydio Machado Bandeira de Mello e, para cumprir minha promessa, deixarei aqui um atalho para este belo artigo de Thiago Fernando Miranda Crivellari, publicado em 2012 pela UFMG: Uma Lydioscopia: elementos da vida e da obra de Lydio Machado Bandeira De Mello.

Esta postagem e a anterior são dedicadas ao meu amigo Lydio Bandeira de Mello.

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Lydio Machado Bandeira de Mello – Critica do Principio de Razao Suficiente (1974)

Uma Lydioscopia: elementos da vida e da obra de Lydio Machado Bandeira De Mello

O Real e o Possível

domingo, fevereiro 22, 2015

Lydio Machado Bandeira de Mello (1901-1984) foi um jurista (tendo sido professor emérito na UFMG), filósofo e matemático brasileiro. Autor de dezenas de livros, acabou tornando-se mais conhecido fora do Brasil do que em seu próprio país.

Lydio Machado Bandeira de Mello

Lydio Machado Bandeira de Mello. Retrato realizado por seu filho Lydio Bandeira de Mello em 1956 (detalhe).

Só fiquei sabendo de sua existência e de sua vasta obra por conta de minhas visitas ao seu filho Lydio Bandeira de Mello, pintor e desenhista de gênio. Por várias razões, os livros de Lydio Machado (que, como já disse, se contam às dezenas) me chamaram a atenção. E um deles, de nome O Real e o Possível, chamou-me particularmente a atenção.

O Real e o Possível

Não era para menos. A questão me interessa e eu mesmo trabalhei em minha dissertação de mestrado a distinção (bergsoniana) entre o virtual e o possível. Por isso mesmo, eu não poderia concordar com nenhuma das teses de acordo com as quais “o todo está dado” (neste caso, dado como um conjunto de possíveis na mente divina). Nem Aquino, nem Laplace. Mas “concordar” (ou não) com as teses de um autor é, geralmente, o que menos importa. Eu tinha nas mãos uma oportunidade rara: ajudar a divulgar uma obra séria de um autor brilhante e quase desconhecido no Brasil.

As dificuldades técnicas, neste caso, foram assombrosas. O Real e o Possível mede 23 x 15,5 cm, sendo, portanto, ligeiramente maior do que uma mesa digitalizadora (scanner) de tamanho padrão. Falta-lhe, além disso, a regularidade de um livro composto pelos métodos tradicionais. Sequer era possível encostar ao menos uma das extremidades do livro numa extremidade da área útil do scanner para automatizar o processo. Ao contrário, era preciso posicionar e reposicionar individualmente cada folha até achar a posição correta. Em resumo, foram necessárias cerca de 700 varreduras e mais de 12 horas de trabalho ininterrupto somente para digitalizar as imagens do livro.

O resultado foi compilado num arquivo PDF com marcadores. Mesmo sabendo que seria praticamente inútil (uma vez que o livro foi impresso em litografia a partir dos manuscritos do autor), realizei uma leitura OCR das imagens. As palavras escritas em maiúsculas (letra de forma) foram reconhecidas e podem ser pesquisadas no arquivo PDF, o que já é alguma coisa. Dica: algumas maiúsculas (em caixa alta) de Lydio Machado são personalizadas, o que dificultou seu reconhecimento óptico. Assim, caso resolva procurar a palavra “Deus”, procure por “eus” – e assim por diante.

Depois irei postar aqui mais informações sobre Lydio Machado Bandeira de Mello e ao menos mais um livro dele.

Boa leitura!

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Lydio Machado Bandeira de Mello – O Real e o Possível (1954)

O acaso e a necessidade

sexta-feira, dezembro 26, 2014

“Quando pensamos no imenso caminho percorrido pela evolução desde talvez três bilhões de anos, na prodigiosa riqueza das estruturas que ela criou, na miraculosa eficiência das performances dos seres vivos, da bactéria ao homem, podemo-nos surpreender a duvidar de que tudo isso seja o produto de uma enorme loteria, tirando ao acaso números entre os quais uma seleção cega designou raros ganhadores.”

Na tradução brasileira de O acaso e a necessidade, de Jacques Monod (Editora Vozes), se lê teoria em lugar de loteria. Consultei a 3ª edição (1976) e a 4ª edição (1989) e ambas contêm o mesmo erro (p. 157). Conforme Le hasard et la nécessité, Seuil, Paris, 1970, p. 155.

Cultura e política

quarta-feira, outubro 8, 2014

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Cada indivíduo histórico foi um projeto de uma nova humanidade.¹

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A palavra “política” deriva do grego pólis, que significa cidade. Política é a arte de administrar a cidade, o Estado, a coisa pública (res publica). Administrar implica tomar decisões, seja diretamente (executivo), seja aprovando leis (legislativo), seja proferindo sentenças (judiciário). Numa palavra, tomar decisões é exercer o poder. Assim, pensar a política é pensar o Poder.

Cultura, por sua vez, é a ação do homem sobre o homem para produzir o homem. Nessa definição de Cultura está incluída (analiticamente) a ação de si sobre si mesmo ou autoprodução. Mais radicalmente, a essência da Cultura é a produção de si mesmo. Assim, pensar a Cultura é pensar a produção de si mesmo e a produção do outro, entendida principalmente como a contribuição que damos ao outro para que ele produza a si mesmo.

Há uma verticalidade inevitável na política. Não é possível consultar milhões de pessoas a cada decisão. Plebiscitos fogem a esta regra, mas plebiscitos somente respondem a questões previamente formuladas, e o poder continua sendo exercido por aqueles que formulam as questões. A propósito, a criação dos chamados conselhos populares, que atualmente está na pauta da esquerda brasileira, não suprime essa verticalidade. Ela apenas adiciona alguns grupos aos grupos já legitimados pelas eleições. Decisões continuarão sendo tomadas, e elas continuarão sendo tomadas por uns poucos.

A Cultura, por sua vez, é horizontal por excelência. Mais do que horizontal, ela é rizomática. Pode-se objetar que crianças são dependentes, em alto grau, de pais e educadores, e que não é possível suprimir inteiramente a verticalidade na Cultura. De acordo. Mas é possível (e desejável), por outro lado, ensinar às crianças o que é Cultura, e ir transferindo a elas, aos poucos, a responsabilidade que lhes cabe na produção de si mesmas.

A política é o reino das doutrinas e dos programas. Socialismo, conservadorismo e outros tantos “ismos” travam autênticas guerras ideológicas para estabelecer os critérios de acordo com os quais o poder deverá ser exercido, sobre muitos, por alguns poucos.

A Cultura, por sua vez, é o reino da Diferença. Produzir a si mesmo implica em reformular incessantemente a si mesmo, em diferenciar-se de si mesmo (e, por conseqüência, em diferenciar-se dos demais). Ora, na medida em que eu me diferencio, tenho algo de novo a oferecer aos demais. Minha diferença é do interesse de todos, e a diferença de cada um é do meu interesse. Quanto mais radical é o processo de diferenciação de cada um, maior é o benefício de todos. A diferença se alimenta da diferença. Ao produzir-me, eu estou, direta ou indiretamente, contribuindo para a autoprodução de todos os outros. Ao se produzirem, os outros estão, direta ou indiretamente, contribuindo para a minha autoprodução. Uma vez que nos colocamos do ponto de vista da Cultura, desaparece a falsa oposição entre o indivíduo e a coletividade, entre o privado e o público, entre o “egoísmo” e o “altruísmo” .

As linhas acima são apenas um rascunho, um esboço, uma blogada, e não dão conta da complexidade do tema. Ainda assim, espero que sejam suficientes para dar a perceber que a política deve subordinar-se inteiramente à Cultura. Aliás, boa parte da confusão atual, a meu ver, deriva do fato de que queremos pensar a política sem entender o que é Cultura. Queremos estabelecer fórmulas ou programas de ação sem sequer termos compreendido onde está o problema.

Inversamente, uma vez que tenhamos compreendido a primazia do problema da Cultura sobre todos os demais problemas, e que esteja claro que a Cultura, nela mesma, é a grande política, a política superior, qual deve ser nossa orientação política no sentido tradicional? Não há, no cenário político atual, uma resposta pronta a essa pergunta. Mas há alguns pontos óbvios que podem ser destacados.

1. Defesa intransigente da liberdade de expressão

Não podemos nos produzir sem dar ouvidos aos outros. Quanto mais ouvimos, mais estaremos em condições de estabelecer nossos próprios problemas e de inventar nosso próprio caminho. Se o meu direito de dar ouvidos a um outro, ou o direito do outro a me dar ouvidos, for suprimido ou mesmo dificultado, o processo de autoprodução de cada um será empobrecido. Inversamente, e este é um ponto ainda mal compreendido, qualquer iniciativa que suprima ou restrinja a liberdade de expressão deve ser severamente coibida. No mais, cada qual deve responder pelo que diz, como já acontece; liberdade de expressão não se confunde com liberdade de calúnia e difamação.

2. Defesa intransigente das liberdades individuais

Cabe a mim, e a mim somente, decidir de que maneira irei produzir a mim mesmo. Qualquer forma de autoritarismo que implique na supressão ou restrição do meu direito de produzir a mim mesmo deve ser coibida vigorosamente. Obviamente, minha liberdade termina onde começa a do outro.

3. Igualdade de oportunidades para todos

É no movimento da Cultura (e não na política) que se produz o chamado “bem comum”. Assim, deve-se assegurar que todos os homens gozem das condições concretas que possibilitem sua autoprodução. Não é preciso ser rico para produzir-se a si mesmo; longe disso, aliás. Mas duas coisas são essenciais: condições dignas de subsistência e tempo. Nesse sentido, o movimento de redução das jornadas de trabalho é uma daquelas limitações necessárias que a Cultura precisa impor ao capitalismo para que este não degenere em barbárie ou totalitarismo. A produção de bens e serviços é necessária e muito bem-vinda, uma vez que ela promove facilidades para a autoprodução de cada um. Nesse sentido, também ela participa do movimento da Cultura. Mas se perdermos de vista que o sentido da vida é produzir a si mesmo, tudo o mais perderá sentido. Não por acaso, é exatamente isso que está ocorrendo nos dias de hoje.

* * *

O leitor, a não ser que me acompanhe há algum tempo, poderá ter estranhado o conceito de Cultura que apresentei aqui. E não é sem razão. Até aqui, esta é minha humilde contribuição à Filosofia. Por isso optei por escrever a palavra com letra maiúscula: para sublinhar o caráter universal desse conceito, por um lado, e para diferenciá-lo de suas acepções usuais (antropológica, elitista, etc.).

Esse trabalho irá prosseguir, fora da Internet, em três livros. O primeiro, a ser publicado já em 2015, será um ensaio curto e acessível. O segundo será uma tese de doutorado em Filosofia. O terceiro seria dedicado a um diagnóstico da modernidade do ponto de vista desse novo conceito de cultura. A propósito, pretendo realizar meu doutorado na UFRJ, onde fiz o mestrado, mas isso não está certo e eu ainda nem procurei o professor com quem desejaria trabalhar. Estou, portanto, aberto a convites.

* * *

Aderir a um programa qualquer sempre será mais fácil do que ouvir o outro, produzir a si mesmo e pensar por conta própria. A cada eleição, repete-se a festa da democracia: um monte de retardados disputando o poder com seus programas debaixo do braço e uma multidão de eleitores enfarados com esse espetáculo lamentável. Mas, e esse é o ponto essencial, a solução do problema político não pode ser dada no interior do sistema político. Somar retardados amadores aos retardados profissionais só poderá resultar em mais retardamento. Democratizar a democracia é uma ótima idéia, e já existe uma excelente ferramenta para isso: a Internet. Que tal um fórum de discussões para que todas as pessoas possam participar e discutir? O que eu não aprovo é que um outro pense e decida em meu lugar. Se for para isso, já temos a democracia representativa.

Mas se não há uma solução mágica do problema político no interior do sistema político, onde está a solução? Eu diria que um primeiro passo seria uma reformulação cultural do sistema de ensino. Para isso, no entanto, precisamos de um conceito de cultura que funcione. Alunos precisam saber por que estão na escola: para terem mais meios de se produzirem a si mesmos. Professores precisam saber por que estão na escola: para ensinar aos alunos, juntamente com os conteúdos curriculares, que eles estão ali para aprender a se produzir. Esse novo conceito de Cultura é muito simples. Qualquer criança entende num piscar de olhos.

Por isso votei em Marina Silva para presidente. Entre os candidatos, ela me parecia ser a única capaz de compreender o que estou dizendo. Mas não podemos esperar que a solução venha de um político isolado, de um partido salvador e nem mesmo de uma reforma do sistema político. A solução é lenta, trabalhosa, assim como cultivar uma planta é um processo lento e cheio de cuidados. No prazo de apenas uma geração, entretanto, já teríamos um país inteiramente diferente.

¹ TARDE, Gabriel. As Leis sociais. Tradução de Francisco Fuchs. Editora da UFF, Niterói, 2012, p. 104.